Fotos: Rosangela Falato
Legenda: Palestrante aborda cuidados necessários principalmente com ferrões de peixes venenosos
Especialista alerta para necessidade de prevenção a acidentes com animais marinhos
Vidal Haddad também explica os procedimentos a serem adotados nos mais variados casos
O que fazer ao pisar em um ouriço-do-mar ou ter contato com águas-vivas e caravelas. E se, ao pescar, ser atingido por um ferrão de arraia ou de outras espécies de peixes venenosos? Para responder essas questões e desvendar os principais problemas causados por acidentes com animais marinhos, o especialista Vidal Haddad Jr, professor na Pós-Graduação em Saúde Coletiva do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), esteve em São Sebastião nesta quarta-feira (12), ministrando palestra a convite do Centro de Biologia Marinha (CEBimar) da Universidade de São Paulo (USP).
O evento, que faz parte do ciclo de palestras realizado em comemoração aos 60 anos de atuação do CEBimar e tem apoio da Prefeitura, reuniu público atencioso nas dependências do Observatório Ambiental, na Rua da Praia, região central da cidade. “Afinal, os estudos nessa área são considerados recentes no país sendo importante disseminar informações, orientações e realizar campanhas de prevenção em cidades litorâneas”, comentou Vidal Haddad Jr.
Com oito livros e 122 trabalhos científicos publicados com base na experiência em áreas de Medicina Humana e Ciências Biológicas, com ênfase em Dermatologia e Zoologia Aplicada, o especialista apresentou imagens dos animais considerados perigosos e de pessoas acidentadas com ferimentos, necrose e vários problemas, inclusive infecciosos, em função de acidentes envolvendo banhistas, mergulhadores e pescadores.
Mais comuns
Cerca de 50% dos acidentes causados por animais marinhos são provocados por ouriços-do-mar, 25% por águas-vivas e caravelas e outros 25% por peixes venenosos. É preciso cuidado no diagnóstico do problema para que o tratamento seja adequado. Mais comuns sobre rochas, entre pedras ou em fundo arenoso, os ouriços têm muitos espinhos que podem atingir as pessoas em casos de contatos. Os espinhos devem ser retirados preferencialmente por profissionais da saúde para evitar infecções e o ideal é banho de água quente para diminuir a dor que é intensa.
No caso de águas-vivas e caravelas, é preciso remover os tentáculos com luvas, pinças ou lâmina de uma faca e não esfregar o local do ferimento. Compressas de água do mar gelada ou bolsas de gelo são ideais, mas nunca use álcool, urina ou lave com água doce, explicou Haddad Jr durante a palestra. Quanto aos animais peçonhentos, um dos maiores problemas é que não existe soro contra o veneno da maioria deles. Em relação aos peixes venenosos, o melhor remédio ainda é a imersão em água quente e a procura por atendimento médico.
Peçonhentos
Segundo Haddad Jr, o veneno de alguns peixes chega a ser pior do que muitas cobras. Ele citou casos de acidentes com bagres e arraias que atingem, principalmente, pescadores e mergulhadores. No caso do bagre, os banhistas devem tomar cuidado com os peixes encontrados mortos nas praias porque o veneno permanece na espécie por 24 horas. O veneno do ferrão desse peixe causa muita dor e pode ou não provocar feridas. No caso de arraias (ou raias), que geralmente se aproximam da praia no verão, os ferrões estão na base da cauda e podem ser introduzidos na pessoa que chegar perto ou pisar em uma espécie. A dor é intensa e prolongada e a pessoa pode ter vômitos, febre e complicações cardíacas e pulmonares, além da possibilidade da pele necrosar no local atingido. Recomenda-se, também, imersão em água quente por 30 a 90 minutos e a procura por atendimento médico.
Mas, de todos os casos citados, o acidente mais grave causado por peixes é com os mangangás ou peixes-escorpião que vivem em águas rasas, em fundos rochosos e se camuflam, o que acaba enganando as pessoas e pescadores que ficam mais expostos a acidentes. Eles possuem espinhos nas nadadeiras com glândulas de veneno e, ao serem tocados, provocam ferimentos doloridos. Além da dor que pode durar até 24 horas, a pessoa pode ter vômitos, palpitações, falta de ar e o local atingido também pode necrosar.
Hahhad Jr citou, ainda, o pintado como outra espécie de peixe venenosa e desmistificou alguns casos como os que envolvem piranhas que são próprias de lagos, águas represadas e áreas de aguapés. “Elas mordem apenas uma vez e a incidência de casos ocorre em janeiro. Não tem nada a ver com os filmes de Hollywood”, disse o especialista. Durante toda a palestra ele explicou que o melhor é evitar o contato com as espécies e tomar todos os cuidados necessários para evitar ser mais uma vítima de acidentes com animais marinhos.
Serviços: Mais informações podem ser obtidas em publicações do autor como o livro “Animais Aquáticos Potencialmente Perigosos do Brasil – Guia Médico e Biológico” Editora Rocco, 2008, ou no e-mail haddadjr@fmb.unesp.br. Outra referência é o Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo, na Rodovia Manoel Hypolito do Rego, km 131,5, s/nº, Praia do Cabelo Gordo; CEP 11.600-000, São Sebastião, SP. Contato pelo telefone (12) 3862-8422 ou no site www.usp.br/cbm
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