Prefeitura e Apae não chegam a acordo e unidade na Costa Sul segue indefinida





Terreno doado à APAE virou depósito clandestino de poda e entulho

Helton Romano

Cerca de 40 alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) encaram, de segunda à sexta-feira, o trajeto que separa a Costa Sul do bairro Pontal da Cruz, onde está localizada a sede da instituição. Muitas vezes, a cansativa viagem, que leva mais de uma hora, realizada em um micro-ônibus, ocasiona faltas a desestimula alunos.
“Tem dia que minha filha não quer ir”, conta a desempregada Nilde Araújo dos Santos, mãe de Ingrid, 13 anos, portadora de deficiência mental. “Ela reclama da viagem e diz que gostaria de estudar em Boiçucanga [bairro onde mora]. Mas aqui não tem a mesma estrutura”, afirma Nilde.
Em 2009, o anúncio da construção de uma unidade da Apae na Costa Sul foi recebido com entusiasmo por Nilde e outros pais de alunos. Mas passados quatro anos a obra ainda não saiu do papel e não há sequer previsão.
Um terreno de 2,4 mil metros quadrados, situado em Maresias, chegou a ser doado à instituição. O Imprensa Livre apurou que a área virou um depósito clandestino de poda e entulho.

De acordo com a vice-presidente da Apae, Rita Simenone, a área carece de regularização e de serviços de drenagem. “Somente depois de resolver esses problemas poderemos pensar na construção”, diz Rita. Indagada sobre prazos, ela é taxativa: “Não temos previsão porque não temos recursos”.
A obra foi anunciada pelo prefeito Ernane Primazzi (PSC), em agosto de 2009, durante entrega da reforma do campo de futebol de Boiçucanga. “Vamos cumprir o compromisso de auxiliar a instalação de uma unidade da Apae na Costa Sul”, declarou Ernane, na época. Três meses depois, em homenagem à instituição prestada na Câmara Municipal, o prefeito reafirmou a promessa.
Na última semana, questionada a respeito, a Prefeitura respondeu que a construção “não está descartada”. “Se o número de alunos, atendidos daquela região [Costa Sul], justificar o custo, a questão será avaliada”, informou o comunicado enviado pela assessoria de imprensa.

A incerteza quanto à demanda, porém, não foi alegada em ofício assinado pelo prefeito, em abril de 2009. “A Prefeitura tem a intenção de ampliar o atendimento à comunidade, a partir da implantação da Apae na Costa Sul, em vista da grande demanda naquela região”, atesta o documento, em resposta a um requerimento da vereadora Solange Ramos (Pros).

Repasse
A Prefeitura também fez questão de informar, ao Imprensa Livre, os valores repassados à Apae, totalizando R$ 490 mil em 2013, além do custeio de “todos os professores, assistente social, merenda e transportes de alunos”. Ainda de acordo com a Prefeitura, um levantamento realizado nos últimos cinco anos mostra que o repasse à instituição saltou de R$ 203,5 mil para os atuais R$ 490 mil, enquanto que o número de alunos é, praticamente, o mesmo há 10 anos (128 alunos em 2013). O comunicado ressalta também que a rede municipal de ensino oferece atendimento especializado a 718 alunos portadores de variadas deficiências.

A vice-presidente da Apae afirma que os repasses não são suficientes para a construção. “Os convênios são firmados com base em legislações federais. Promessa de campanha é outra coisa”, entende Rita.

Foto: Helton Romano/IL

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