Lançamento do Viva o Centro movimenta comércios do Centro Histórico





Moradores e turistas puderam aproveitar os bares e restaurantes, além de fazer compras nas lojas que estenderam o horário de funcionamento

Jessyca Biazini

Com o intuito de movimentar o comércio local, proprietários de estabelecimentos e Poder Público lançaram o “Viva o Centro”, na noite da última sexta-feira, no Centro Histórico de São Sebastião. Cavaletes fecharam parte da Rua Antônio Cândido até o final da Praça Antônio Argino. O espaço foi ocupado por mesas e cadeiras de bares e restaurantes, além das promoções das lojas expostas nas calçadas.
O som ao vivo do grupo Toke Samba e promoções atraíram um grande número de pessoas. O que começou com a chegada tímida de pessoas cheias de expectativas; terminou com a satisfação dos moradores e turistas que ficaram com ‘gostinho de quero mais’. O som ao vivo parou às 21h, mas as mesas continuaram cheias até a meia-noite. Todos queriam curtir um pouco mais o brilho da iluminação natalina e a brisa que passava pela praça.

O evento também teve uma exposição em homenagem ao Dia da Consciência Negra, preparada pelo Departamento de Patrimônio Histórico. Uma cama elástica alegrou as crianças, além do artista Henrique Cardim, que fez a estátua viva de um pescador caiçara, produzida pelo Castelo das Artes.
Para a secretária de Cultura e Turismo, Marianita Bueno, o resultado positivo do “Viva Centro” prova que muita coisa pode ser feita a partir de parcerias, como a firmada entre os comerciantes, a Associação Comercial e Empresarial, a Câmara e a Secretaria de Cultura e Turismo. “É bom ver que a primeira edição contou com muitas famílias sebastianenses, artistas e turistas que viram a praça como uma nova opção do fim de semana”, comenta Marianita.

A publicitária Beatriz Puga, moradora do Pontal da Cruz, afirma que ver a praça “lotada” superou as expectativas. “Um projeto bem organizado. Fiquei feliz também ao ver artistas da cidade trabalhando no local. Espero que o evento continue mesmo na baixa temporada”, declara. “Adorei a música ao vivo. Espero que nas próximas sextas outras bandas da cidade também se apresentem no mesmo local para que se torne a nova atração de São Sebastião”, completa.
A rua foi fechada e a Guarda Civil Municipal (GCM) garantiu a segurança do local. “Brilhante. Um evento seguro que podemos levar os filhos com tranquilidade. Boa música que não me incomodou nem um pouco”, opina Anna Carolina Queiroz, que mora na rua em que ocorre o evento.

Para melhor
Pode ser que o próximo “Viva o Centro” comece um pouco mais tarde. No começo do evento, em respeito à missa da Igreja Matriz, os músicos pararam de tocar por, aproximadamente, uma hora e o agito teve o início adiado. A festa está prevista para ocorrer todas as sextas-feiras, das 18h às 21h, mas a programação do dia 13 estará disponível, amanhã, no site www.sãosebastião.sp.gov.br.
Outra ideia é aumentar os assentos da festa. “Passei só para olhar, gostei e fiquei. Vi muita divulgação nas redes sociais. É um evento que tende a crescer e para as próximas sextas é bom preparar mais mesas e cadeiras, ou colocar na divulgação para trazerem as cadeiras de praia”, afirma a funcionária pública Ivelize Aguiar, moradora do bairro São Francisco.

O presidente da Câmara de São Sebastião, Marcos Tenório (PSC), enfatiza que a ideia é ultrapassar a temporada e criar uma rotina nova no município. “No inverno é possível fazer uma noite do caldinho na praça. O movimento é crucial para valorizar a cidade, o comércio e os artistas. O Centro Histórico estava triste, temos que manter vivo o ano inteiro”, propõe. “Os comerciantes mostraram que com atitudes simples é possível trazer mudanças fantásticas. O resultado foi ótimo e nada impede que outros dias da semana tenham festas semelhantes em outros bairros de São Sebastião”, avalia Tenório.

Comerciantes deram o ‘pontapé inicial’ para criação do evento
Os comerciantes da Rua Antônio Cândido e da Praça Antônio Argino lutam desde janeiro para que o local seja mais valorizado e que novos projetos tragam moradores e turistas ao local. A comerciante Sônia Castro revela o empenho dos donos das lojas e restaurantes. “Fizemos reuniões, conversamos com vereadores, escrevemos propostas, elaboramos um abaixo-assinado, tudo para buscar apoio para reviver o Centro Histórico”, resume.
Para Sônia, a praça estava “morta”. “Vemos muitos comerciantes passando o ponto. Tenho casa em Santos e lá havia uma situação como a nossa, com iniciativa eles têm há três anos um ótimo evento que deu vida à cidade”, explica.
A proprietária de outro estabelecimento, Claudia Antonelli, detalha a trajetória que durou um ano até a conquista. Ela afirma que os comerciantes do local se reuniram com o vereador Reinaldinho (PSDB) para registrar as propostas em uma carta assinada por todos os proprietários dos restaurantes e das lojas.
Em seguida, representantes do comércio foram ao gabinete do prefeito Ernane Primazzi (PSC) para falar sobre as dificuldades, como o pouco movimento, a falta de incentivo para ampliar o horário de funcionamento. Na ocasião, não houve uma resposta favorável, porém, Ernane convocou, meses depois, uma segunda reunião para identificar os motivos dos problemas.
O terceiro momento foi a reunião na Câmara, promovida pelo presidente Marcos Tenório (PSC), que uniu Prefeitura, Associação Comercial e Empresarial (ACE) e os comerciantes para determinar como seria o evento. “Decidimos que os comerciantes ficariam abertos até mais tarde e fariam as decorações natalinas das lojas; a ACE apoiaria com a iluminação da praça; a Secretaria de Cultura daria o suporte necessário ao evento e outros detalhes. Agradecemos também a Daniela Carvalho, que auxiliou em toda a produção da festa e ao vereador Jair Pires (PSDB) pelos panfletos”, completa Claudia.
Dona de uma loja de roupas, Altamira Leite propõe que parte da rua vire um calçadão para valorizar o local. “Durante a semana as pessoas ficam concentradas próximas à avenida onde tem os bancos e mercados e no fim de semana vão para a Rua da Praia. É preciso inovar este trecho. O calçadão pode ser a solução”, opina.


Foto: Luciano Vieira/PMSS

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